Em 2015 o grupo Carona Brasil, atualmente formado pelas cantoras mineiras Cássia Mattiello, Rosana Tunes, Carol Viana, Margareth Lucena e Sofia Cupertino, lança o seu terceiro álbum, “De lá pra cá – Daqui prali”.

O grupo mantém-se nos trilhos da pesquisa na Música Popular Brasileira e neste projeto contempla o universo prodigioso dos compositores mineiros, cantando um repertório diversificado que vem de Ary Barroso e Joubert de Carvalho, passando pelo Clube da Esquina e João Bosco, até Vander Lee e Samuel Rosa.

Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais. (Guimarães Rosa)

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Capa: Aquarela de José Alberto Nemer / Design Gráfico: Mariana Rottenstein Nemer

A feira ♦ Mater e Pater ♦ Papel Machê ♦ Samba do Nenem ♦ Áfrico ♦ Maringá ♦ Lud ♦ Suíte das mulatas 

♦ Meu meio de ser inteira ♦ Saudade ♦ O que foi feito deverá/ O que foi feito de Vera ♦ Suíte futebol

 

“De lá pra cá – Daqui prali” por Chico Brant

Chico Brant, jornalista e escritor, assim apresenta o álbum “De lá pra cá – Daqui prali” do Carona Brasil:

Garimpando tesouros na música dos mineiros

Produto de cuidadosa pesquisa musical, “De lá pra cá – Daqui prali” traduz mais esse compromisso de trabalho do grupo Carona Brasil. As cantoras Cássia Mattiello, Rosana Tunes, Carol Viana, Margareth Lucena e Sofia Cupertino, acompanhadas de ótimos instrumentistas e arranjadores, emprestam suas vozes a compositores que nasceram em Minas e trouxeram consigo a sofisticação e a sutileza artística da sua terra.

Sem pretensão, a coletânea contempla gerações, traça um sutil paralelo entre elas e apresenta uma diversidade de estilos. E assim, avisa: os mineiros também fazem música da melhor qualidade para o Brasil e para o mundo!

Herança para isso eles têm. Nos séculos XVIII e XIX, enquanto mineradores corriam atrás do ouro, Lobo de Mesquita, João de Deus de Castro Lobo, José Maria Xavier e outros elevavam a música sacra ao patamar da genialidade. Hoje, em profícua garimpagem, o Carona Brasil mostra que novos criadores continuaram compondo, tocando e cantando, dentro ou fora de Minas; embora, digamos, fazendo música em silêncio…

Ao batear aluviões e veios musicais, o grupo descobriu e/ou expôs tesouros no CD “De lá pra cá – Daqui prali”: título inspirado na multiplicidade das “muitas e várias Minas” do imaginoso Guimarães Rosa. Esse garimpo confirma que Minas Gerais é síntese também da diversificada música popular brasileira. A Feira, primeira faixa do CD, evoca com seus metais e ritmo a música pernambucana. Mater e Pater e Áfrico, o banzo africano e a nostalgia do mar que muitos nunca viram. Maringá é até hoje o grande hino brasileiro à saudade, legado pelo uberabense Joubert de Carvalho. Papel Machê, a obra prima e lúdica do versátil João Bosco, em parceria magistral com Capinan. O carmelitano Mário Palmério, escritor e político, ensina o que é Saudade. Na Suíte das Mulatas, o juiz-forano Geraldo Pereira, o ubaense Ary Barroso e o miraiense Ataulfo Alves esbanjam talento em Sem Compromisso, Faceira e Mulata Assanhada.

Ao lado desses e dos demais compositores mineiros célebres, incluindo Milton Nascimento, Fernando Brant, Márcio Borges, Samuel Rosa, também desfilam no cd os contemporâneos Pablo Bertola, Júlia Medeiros, Ladston do Nascimento, Sérgio Santos, Flávio Henrique, Nelson Ângelo, Vander Lee, Sílvia Maneira e Gilvan de Oliveira.

Gilvan é o arranjador instrumental e atua também como arranjador vocal, violonista e guitarrista. Ele, os outros instrumentistas, a arranjadora Silvia e a preparadora vocal Babaya criam em todas as faixas, bem ao gosto mineiro, requintada harmonia das vozes com os instrumentos e das músicas em ritmo dançante com letras que chegam ao lirismo e a devaneios metafísicos.

Em “De lá pra cá – Daqui prali” os mineiros fazem justiça ao melhor da MPB.
(Chico Brant, jornalista e licenciado em História, atualmente é secretário de comunicação social do TRT-MG.)


Faixas – Repertório em Detalhes

1. A feira (2004) – Pablo Bertola (Barbacena) e Júlia Medeiros (São João Del Rei)

2. Mater e Pater (2002) – Ladston do Nascimento (Belo Horizonte) e Antônio Martins

3. Papel Machê (1983) – João Bosco (Ponte Nova) e Capinan

4. Samba do Nenem (1989) – Gilvan de Oliveira (Itaú de Minas)

5. Áfrico (2001) – Sérgio Santos (Varginha) e Paulo César Pinheiro

6. Maringá (1932) – Joubert de Carvalho (Uberaba)

7. Lud (2006) – Flávio Henrique (Belo Horizonte) e Carlos Rennó

8. Suíte das mulatas

Sem Compromisso (1944) – Geraldo Pereira (Juiz de Fora) e Nelson Trigueiro

Faceira (1928) – Ary Barroso (Ubá)

Mulata Assanhada (1956) – Ataulfo Alves (Miraí)

9. Meu meio de ser inteira (2013) – Sílvia Maneira (Araxá)

10. Saudade (1963) – Mário Palmério (Monte Carmelo)

11. O que foi feito deverá / O que foi feito de Vera (1978) – Milton Nascimento (Rio de Janeiro-RJ/Três Pontas-MG) – Fernando Brant (Caldas) – Márcio Borges (Belo Horizonte)

12. Suíte futebol

Um a Zero (1919/1992) – Pixinguinha, Benedito Lacerda e Nelson Ângelo (Belo Horizonte)

Galo e Cruzeiro (1998) – Vander Lee (Belo Horizonte)

É Uma Partida de Futebol (1995) – Samuel Rosa (Belo Horizonte) e Nando Reis


Ficha Técnica

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